quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

STJ determina busca e apreensão no Tribunal de Contas

08-12-2011


Fonte: revista eletrônica Consultor Jurídico
O ministro Castro Meira, do Superior Tribunal de Justiça, determinou a busca e apreensão de dados no Tribunal de Contas do Estado Rio de Janeiro. A diligência foi pedida pelo Ministério Público Federal com o intuito de preservar provas.
 
A Polícia Federal já cumpriu a medida, de forma tranquila, na Coordenadoria Setorial de Preparo e Pagamento (COP), na Coordenadoria de Recursos Humanos (CRH) e na Diretoria Geral de Informática (DGI), áreas do TCE/RJ.
 
A ação penal instaurada nesta quarta-feira, dia 7, investiga irregularidades administrativas no âmbito do TCE-RJ. 

União adere a ação na Justiça contra divisão de royalties

08-12-2011


Fonte: revista eletrônica Consultor Jurídico
A União enviou ao Supremo Tribunal Federal pedido para entrar como parte no Mandado de Segurança com o qual parlamentares do Rio de Janeiro e do Espírito Santo tentam impedir a votação do projeto de redistribuição dos royalties do petróleo. O pedido de ingresso da União no MS 30.956 está sob análise do ministro Ricardo Lewandowski.
 
Os autores do MS tentam impedir a tramitação no Congresso Nacional do Projeto de Lei do Senado (PLS 448/11) que altera a distribuição da participação especial e dos royalties da produção de petróleo entre estados e União. Os parlamentares argumentam que a proposta fere o modelo federativo brasileiro, ao enfraquecer a autonomia dos estados produtores “com o indevido fortalecimento do poder central da União”. Também é argumento dos autores o “caráter indenizatório e compensatório” dos royalties previsto na Constituição. Para eles, apenas os estados que foram explorados teriam direito de ser indenizados ou compensados.
 
O Projeto de Lei que propõe a nova divisão foi aprovado no Senado Federal em outubro e tramita na Câmara dos Deputados. Outros dois Mandados de Segurança (MS 31031 e 31034) de autoria de parlamentares fluminenses e capixabas tramitam no STF para impedir a votação do projeto de redistribuição.

Código Florestal: emendas de última hora são alvo de polêmica

08-12-2011


Fonte: jornal O Estado de S. Paulo


A votação do Código Florestal provocou reações por parte de organizações da sociedade civil.Não só pelo conteúdo, mas pela forma da votação. O advogado André Lima, da Comissão de Direito Ambiental da OAB, denunciou que a maioria dos senadores desconhece o que foi votado.

"Emendas foram redigidas na hora e somente meia dúzia de senadores sabe o que foi votado", afirma. Até o fechamento desta edição, o texto final não estava disponível no site do Senado e nenhuma das fontes consultadas pela reportagem possuía o documento. "Participei do processo inteiro e, em alguns momentos das negociações dessas emendas que surgiam no papel subitamente, eu intervim. Os textos estavam sendo mexidos a critério dos assessores de plantão.

Os senadores só davam o aval", resume. "Poucos de fato sabiam mais ou menos do que se tratava cada negociação." O presidente da comissão de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Agricultura, Assuero Doca Veronez, diz que teve a mesma impressão. "Acompanhei de perto e não entendi nada." Para ele, a proposta aprovada é benéfica para o setor do agronegócio, embora os produtores tenha computado "perdas".

"Nem sequer se admite discussãosobreos80% de reserva legal para a Amazônia.Isso inviabiliza a propriedade de quem está na região", diz.

O senador Jorge Viana (PTAC), relator da matéria na Comissão de Meio Ambiente, disse que rejeitou 52 emendas "apresentadas de última hora" e acatou 26 que vinham sendo discutidas com senadores de vários partidos havia semanas. "Quem fala isso não estava acompanhando o dia a dia dos trabalhos. Eu não seria irresponsável de fechar um texto com emendas de última hora.

A única emenda que foi construída nos últimos dias foi a que se refere à carcinicultura (criação do camarão) em manguezais e apicuns", rebate.

Esta, aliás, foi uma das emendas mais polêmicas da votação.

Segundo Lima, houve pressão dos senadores do Nordeste pela aprovação. Para a secretária-geral do WWF Brasil e ex-secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Maria Cecília Wey de Brito, a aprovação dessa emenda "é uma demonstração clara do quanto esse Código foi feito debaixo dos panos e o quanto essa discussão foi conversa para boi dormir.No que diz respeito à carcinicultura há pontos importantes: primeiro, os manguezais, apicuns e salgados não podem ser tratados separadamente.

Segundo, os manguezais são os berçários para a produção pesqueira, importantes principalmente para os pescadores artesanais", afirma.

Para ela, a votação foi negociada nos bastidores pelo governo e seus senadores. "Venderam o Código pelo preço da matéria do dia. Se foi a DRU ou os royalties do petróleo, não importa." O senador Rodrigo Rollemberg (PSBDF) rebate. "O tema vem sendo debatido no Senado desde março. Realizamos 18 audiências públicas e isolamos os radicais de ambos os lados."

Antes do Natal

Apesar do recesso parlamentar que começa no dia 23, a nova votação no plenário da Câmara, última etapa do debate que já dura 13 anos, está prevista para a próxima quinta-feira.

Supremo suspende julgamento de benefícios a juízes

08-12-2011


Fonte: revista eletrônica Consultor Jurídico
O julgamento do Supremo Tribunal Federal que decidirá sobre o direito dos juízes trabalhistas classistas aposentados a receber auxílio-moradia foi suspenso pela segunda vez nesta quarta-feira.

O ministro José Antonio Dias Toffoli fez novo pedido de vista do Recurso Ordinário em Mandado de Segurança 25.841, no qual a Associação Nacional dos Juízes Classistas da Justiça do Trabalho pleiteia o auxílio concedido aos juízes trabalhistas togados (de carreira) antes da Lei 9.655/98, que diferenciou o reajuste dos vencimentos dos magistrados togados e classistas.

Este é o segundo pedido de vista formulado no julgamento desta ação, iniciado em 10 de fevereiro deste ano. À época, o ministro Gilmar Mendes votou pelo não provimento do recurso e foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli e Carmem Lúcia.

Nesta quarta-feira, o ministro Marco Aurélio deu provimento parcial ao pedido, considerando que os juízes classistas que estiveram na ativa entre 1992 e 1998 devem receber o benefício.

O pedido já foi negado pelo Tribunal Superior do Trabalho, com o entendimento de que os juízes classistas inativos não têm direito ao auxílio concedido aos magistrados togados. Isso porque o reajuste do classista tem regra diversa do reajuste do juiz togado.

Ação ameaça classificação de programas na televisão

08-12-2011


Fonte: jornal Folha de S. Paulo
Uma ação no Supremo Tribunal Federal pode derrubar as atuais regras de classificação indicativa na TV.

Na semana passada, quatro de dez ministros do órgão votaram a favor da anulação de parte do artigo 254 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Joaquim Barbosa.

Se tombarem mesmo, as regras devem cair numa rede de segurança, pois há recursos na Constituição para enquadrar as TVs mesmo sem as multas de hoje.

Mas entidades pró-ECA temem a mudança. "[O ECA] Garante efetividade ao sistema", diz Veet Vivarta, da Agência de Notícias dos Direitos da Infância.

Emenda 29 é aprovada no Senado sem nova CPMF

08-12-2011

Fonte: revista eletrônica Consultor Jurídico

A proposta que regulamenta as aplicações mínimas do governo federal, dos estados e municípios na saúde, conforme a Emenda 29, foi aprovada pelo Senado. Os dispositivos sobre a criação de uma Contribuição Social para a Saúde (CSS), chamada como a nova Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), foi retirada do texto por 62 votos a 9.

No texto aprovado, que vai à sanção presidencial, a União deve destinar à saúde o valor aplicado no ano anterior mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores ao que se referir a lei orçamentária. Em 2012, portanto, a União aplicará na saúde o destinado em 2011, acrescido da variação do PIB de 2010 para 2011, somando R$ 86 bilhões.

Os estados serão obrigados a repassar 12% das suas receitas na saúde e os municípios, 15%. O Distrito Federal deverá aplicar 12% ou 15%, conforme a receita seja originária de um imposto de base estadual ou municipal.

Também foi retirado do texto a vinculação de 10% da receita bruta da União para a saúde, como previa o projeto original. E foi reincorporada a inclusão dos recursos do Fundo de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) na base de cálculo do montante de recursos que os estados aplicarão em saúde. Assim, foi mantido o repasse de R$ 7 bilhões do Fundeb.

Além de dispor sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, estados, Distrito Federal e municípios em ações e serviços públicos de saúde, o texto estabelece os critérios de rateio dos recursos de transferências para a saúde e as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas três esferas de governo.

O relator da matéria e líder do PT, senador Humberto Costa (PE), manteve o texto conforme foi reenviado da Câmara dos Deputados ao Senado. Costa disse que o Congresso Nacional precisa debater a criação de novas fontes de receita para a saúde. “Dinheiro não nasce em árvore, minha gente. Só se consegue se a sociedade estiver convencida e der a sua contribuição para isso”, afirmou. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) assinalou que, desde o fim da CPMF, a arrecadação do governo federal aumentou em R$ 150 bilhões, sendo que em 2011 o aumento em relação a 2010 foi de R$ 78 bilhões.

O governo federal vinha condicionando a aprovação dos 10% para saúde à criação da CSS, que funcionaria nos moldes da extinta CPMF. O líder do DEM, Demóstenes Torres (GO), pediu destaque para que a criação do CSS fosse votada separadamente. O senador Francisco Dornelles (RJ), da base do governo, afirmou que a CSS seria a recriação da CPMF, mas com outro nome. Ele destacou que só seria possível criar uma contribuição cumulativa por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição e jamais por meio de um projeto de lei complementar.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Países debatem Lei de Acesso à Informação

06-12-2011


Fonte: site do jornal O Globo
O Brasil possivelmente não conseguirá fazer valer, dentro do prazo determinado e em todas as esferas, poderes e estados, a Lei de Acesso a Informações Públicas, na opinião da diretora de Prevenção à Corrupção da Controladoria Geral da União (CGU), Vânia Vieira. A afirmação foi feita em seminário em São Paulo, no qual foram apresentadas experiências de outros países na execução de leis que dão ao cidadão o direito de acessar informações públicas.

Sancionada em 18 de novembro pela presidente Dilma Rousseff, a lei acabou com o sigilo eterno de documentos oficiais e estabeleceu que órgãos públicos, em todas as esferas, têm de prestar em no máximo 30 dias informações solicitadas por cidadãos sem que eles tenham que justificar o pedido.

No Executivo Federal, a CGU é o órgão que vai avaliar recursos dos cidadãos e estruturar a União para a norma, que entra em vigor em maio do ano que vem.

"A entrada em vigor é o maior desafio. Provavelmente, o Brasil não conseguirá cumprir em 180 dias, em todas as esferas e em todos os poderes, esse prazo tão exíguo", disse Vânia, em palestra no Seminário Internacional de Acesso à Informação Pública, promovido pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ), pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo e pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

"O que, possivelmente, não conseguiremos cumprir é a organização de tudo num processo eletrônico, para termos um sistema que permita a tramitação eletrônica desses pedidos. Para isso, talvez, o prazo não seja factível", completou Vânia, destacando que o Brasil tem muito o que aprender com a experiência de outros países na execução de leis de acesso à informação.

Um exemplo bem-sucedido é o do México, onde a maioria das solicitações por informação pública é feita e processada pela internet, num portal. No país, foi criado um órgão especial para tratar dos pedidos, o Instituto Federal de Acesso à Informação e Proteção de Dados (Ifai) e, desde 2003, quase 700 mil pedidos de informação foram analisados.

"Em 2011, cerca de 47% das solicitações foram feitas pela academia (pesquisadores), 25%, por empresas, 16%, pelo governo e 10%, pela mídia", disse a diretora de coordenação de políticas de acesso do Ifai, a mexicana Gabriela Segovia.

Mais de 3 mil apelações acumuladas na Escócia

Na Escócia, pedidos de informação resultaram em mudanças importantes de postura do governo. Exemplo disso ocorreu quando os pais descobriram que o governo se baseava em dados desatualizados para decidir pela desativação de escolas rurais. A partir daí, a administração pública passou a ser obrigada a justificar o fechamento das instituições de ensino. Na Escócia, o governo já lidou com mais de 3 mil apelações desde 2005, de casos de informações não recebidas.

Na Índia, cidadãos que solicitam informações podem não ter o pedido atendido, mas são beneficiados de outras formas, segundo o pesquisador americano Thomas Blanton, da Universidade George Washington. Há casos de pessoas que questionam o governo sobre as razões de não terem água encanada no local onde moram, e, embora o poder público não dê uma resposta, acaba fazendo a instalação dos canos de água na referida comunidade, exemplifica o pesquisador.

Nos Estados Unidos, em 2010, foram feitos 597 mil pedidos de informação. O governo americano se negou a divulgar uma fotografia do terrorista Osama Bin Laden, alegando que isso incitaria a violência, e a Justiça é que decidirá sobre a solicitação.

Na África do Sul, 70% dos pedidos são ignorados

Já a África do Sul foi citada como um exemplo que não deve ser seguido pelo Brasil. Isso porque, apesar de ter uma lei de acesso à informação há mais de dez anos, de 60% a 70% dos pedidos dos cidadãos são ignorados pelos órgãos públicos.

A diretora da CGU e o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Abramo, demonstraram preocupação com a implementação da lei nos estados e municípios, que precisam criar estruturas próprias de processamento de pedidos e recursos.

"O plano municipal é uma selva. É o desafio mais grave que existe. A informação não flui de forma geral", criticou Abramo, afirmando que muitos municípios dependem de repasses dos governos estaduais e da União para sobreviver.

Na opinião da diretora da CGU Vânia Vieira, a capacitação de servidores e a mudança de cultura do funcionalismo sobre os direitos da população a informações governamentais são os principais desafios para colocar a lei em prática. Segundo Vânia, é preciso que os servidores tenham clareza de que permitir o acesso a dados é agora a regra, e não a exceção.

De acordo com o levantamento feito pela CGU com cerca de mil servidores do Executivo Federal, muitos funcionários acham, erroneamente, que o solicitante só pode ter acesso a dados pessoais e que apenas chefes de departamento podem liberar as informações. Os servidores demonstraram receio de que a nova lei cause sobrecarga de trabalho ao funcionalismo.

"A nossa prioridade é a capacitação de servidores. Eles têm que saber da lei. Estamos lançando uma cartilha para os funcionários e vamos fazer cursos", disse Vânia.

O coordenador de Comunicação e Informação da Unesco, Guilherme Canela, afirmou que é preciso pressionar para que a lei seja implementada. "Tem que haver um investimento volumoso de recursos. Temos de sair da cultura do segredo para a do acesso".